quarta-feira, 22 de maio de 2019

CAPA DE REVISTA GAY ATACANTE FRANCES GRIEZMANN DIZ: ‘HOMOFOBIA NÃO É OPINIÃO, É CRIME’

O atacante francês Antoine Griezmann foi capa da edição da última terça-feira, 21, da revista francesa Têtu, voltada para o público LGBT do país. Depois de anunciar saída do Atlético de Madri, o jogador de 28 anos repudiou a homofobia e revelou ser capaz de parar uma partida, caso ouvisse ofensas homofóbicas contra algum atleta.

“A homofobia não é uma opinião, é crime. Agora, se um jogador disser palavras homofóbicas no campo, acho que eu pararia a partida. Isso precisa mudar. Os estádios não são muito acolhedores para homossexuais, há vários cantos homofóbicos. Isso é inaceitável e acabamos pagando por essa agressividade”, declarou o atacante.

Griezmann é um dos poucos jogadores a apoiar o movimento LGBT e cobrou as federações para que proponham mudanças. “Na seleção, se alguém revelasse ser gay, talvez não tivesse o apoio de todos do time, mas eu estaria a seu lado. A federação francesa, das ligas e dirigentes dos clubes também devem levar esse tema a sério. O futebol é bonito, não pode ter essa imagem homofóbica. Mas é mais profundo do que isso. Precisamos educar nossos filhos para que cresçam em um mundo menos preconceituoso e sexista”, finalizou.

O atacante fez sua última partida e gol pelo Atlético de Madri na última terça, na derrota por 2 a 1 para o Beitar Jerusalém, em amistoso. Griezmann ainda está sem clube, mas negocia ida para o Barcelona, segundo os principais jornais espanhóis. Ele marcou 130 gols em 256 partidas com a camisa do Atlético e ajudou a seleção francesa a conquistar o título da Copa do Mundo da Rússia, em 2018.

Fonte:Placar

CRIMINALIZAÇÃO DA LGBTFOBIA AVANÇA NO SENADO

Um dia antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) retomar o julgamento da criminalização da homofobia, avançou no Senado uma proposta para incluir na Lei de Racismo a discriminação por orientação sexual ou de identidade de gênero. O PL 672/ 2019 foi aprovado nesta quarta-feira (22) em caráter terminativo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Porém, como o texto aprovado é um substitutivo, ainda precisará passar por turno suplementar na CCJ.

Apresentado pelo senador Weverton (PDT-MA), o projeto aprovado na CCJ é um texto alternativo do relator, senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que propôs a criminalização das tentativas de se proibir manifestações públicas de afeto. Conforme a proposta, quem “impedir ou restringir a manifestação razoável de afetividade de qualquer pessoa em local público ou privado aberto ao público”, ressalvados os templos religiosos, poderá ser punido com a penas de um a três anos de reclusão.

O texto alternativo também acrescentou os termos “intolerância” (outra forma de manifestação dessa prática criminosa, ao lado da discriminação e do preconceito) e “sexo” (outro fator motivador do delito, ao lado de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional) nos dispositivos alterados na Lei do Racismo.

— O projeto foi concebido dentro de um equilíbrio, respeitando a liberdade religiosa e o espaço dos templos, mas modernizando nossa legislação e evitando que outros Poderes, no caso o Poder Judiciário, legisle no nosso lugar — defendeu Alessandro Vieira.

Eduardo Braga (MDB-AM) e Fabiano Contarato (Rede-ES) também apontaram que o Legislativo tem se omitido, o que abriu brecha para que o STF esteja perto de equiparar ao racismo a discriminação de pessoas LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais).
— É um tema importante e que vem em boa hora — disse Braga.
Contarato reforçou que os direitos da população LGBTI só têm avançado pelo apoio o Judiciário:
— São 40 anos de ativismo do movimento LGBTI, mas nenhuma lei foi aprovada que garantisse qualquer direito. Todos os direitos como a adoção, o uso do nome social e o casamento de pessoas do mesmo sexo foram alcançadas pela via do Judiciário. Deixa-me envergonhado que o Congresso Nacional se furte a enfrentar o tema — disse.

Violação de direitos LGBT

De acordo com Weverton, levantamento divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) aponta o Brasil como líder na violação dos direitos da população LGBT há seis anos.
“A violência contra pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e lntersexuais é uma perversidade que vem recrudescendo na sociedade brasileira. Com tamanha crueldade não podemos mais compactuar. É inadmissível que a vida de brasileiros e brasileiras seja dizimada em razão da orientação sexual e/ou da identidade de gênero dos cidadãos”, protestou Weverton na justificação do projeto.
Como tramita em caráter terminativo na CCJ, caso seja aprovado na votação suplementar, o projeto pode seguir diretamente para Câmara dos Deputados, se não houver pedido para ser analisado no Plenário.