quinta-feira, 14 de março de 2019

JÚLIA HORTA, A MISS BRASIL 2019, REBATE A CRÍTICAS SOBRE TER UMA "BELEZA COMUM"

Júlia Horta, a Miss Brasil 2019, ainda está se adaptando à rotina de compromissos após a conquista do título do concurso de beleza, realizado na noite do último sábado (8).  A mineira, de 24 anos, é jornalista e digital influencer. Em sua conta no Instagram, ela soma mais de  300 mil seguidores. Antes da coroa, eram cerca de 80 mil fãs na rede social.
No Instagram Stories, ela aproveitou para responder algumas das perguntas deixadas pelos seguidores. Júlia postou uma série de vídeos e comentou algumas críticas que recebeu de pessoas que afirmam que ela é uma miss de "beleza comum".
– Estou super tranquila com isso. Ninguém nunca vai agradar a todos. E eu tenho plena consciência de que não ganhei por ser o rosto mais bonito do concurso ou algo do tipo, mas, sim, porque eu estava preparada.
Sobre as primeiras emoções após a vitória, ela diz que ainda está assimilando a conquista do título. 
– Desde sempre queria ganhar o concurso, mas a gente não espera. Minha ficha ainda não caiu totalmente – afirmou a miss. 
Fonte: gauchazh

CHÁ DAS QUINTAS - DIVA LAYLA SAH

HILUX - Você é uma das pessoas mais interessantes nos palcos de Fortaleza e há um bom tempo venho ensaiando essa matéria. Prazer imenso ter Layla Sá tomando um chá das quintas nessa semana! Me fala tudo, como foi estudar teatro e de onde surgiu o interesse?

LAYLA SAH - Oi meu amor. Para começar muito obrigada pelos elogios e principalmente por poder desfrutar da sua amizade e de conviver com uma diva que sempre admirei desde o começo da minha carreira como transformista na extinta boate Divine (celeiro de grandes estrelas e escola de grandes nomes). Será um enorme prazer participar desse quadro de tão grande sucesso e responder com prazer todas as suas perguntas.
O interesse pelo teatro surgiu desde muito cedo. Desde que me lembro dos tempos de criança (há milhões de anos atrás. Kkkk) já colocava os lençóis da minha mãe presos embaixo das telhas de uma pequena casa de taipa onde morávamos para simular cortinas de um teatro e já fazer show para os meus primos e primas, como se já fosse uma estrela. E no final sempre era muito aplaudida pelos shows interpretações ainda muito verdes (bem infantil). Daí aos 18 anos resolvi começar a fazer cursos de teatro pela vocação mesmo e a vontade de trabalhar com interpretação e com o público logicamente. Foi então que me matriculei no primeiro curso profissionalmente falando no teatro José de Alencar (curso existentes até hoje), o princípios básicos de teatro - CPBT. Esse mesmo já abrigou em sua grade curricular outras dezenas de artistas conhecidos inclusive nacionalmente, como Gero Camilo, Silvero Pereira, Denis Lacerda, Rayanna Rayovack, Graco Alves, Samilla Pascolato, e muitos outros que no momento não irei lembrar. Mas o último artista que lembro ter passado pelo curso foi Mizayra Shiva. Logo terminando o CPBT, já me candidatei a uma vaga a um curso na época muito disputado e profissionalizante com 4 anos de duração e uma carga horária imensa chamado COLÉGIO DE DIREÇÃO TEATRAL. Onde de fato digo que me tornei profissionalmente atriz e também onde nasce Layla Sah. Exatamente para participar de um concurso chamado NOVOS TALENTOS conduzido por Lena Oxa então na época apresentadora oficial da nossa maravilhosa boate de Divine. Eis que nasce a criatura (transformista) idealizada por mim até então apenas uma brincadeira de sala de aula de curso.

HILUX - .Novos talentos da boate Divine e Tina Turner. Quem te viu naquele número jamais esquecerá. Fala pra gente como foi a experiência de participar daquele quadro da Lena Oxa, perder na final e continuar firme na arte, por favor...

LAYLA SAH - Agora então começando responder a segunda pergunta. Criada a Layla Sah (ainda na época Sá. E por numerologia trocado para Sah. Mentira foi por frescura mesmo kkkk.) Começo então a tomar gosto e paixão pela arte transformista. Que desde os 18 anos me encantava pela magia do palco e e por algo tão teatral quando acompanhava shows e grandes espetáculos de maravilhosos artistas na também extinta boate Style (Senador Pompeu/ Centro). Sabendo do concurso comandado por Lena Oxa, começo a me organizar com amigos de sala de aula para concorrer ao título de novos talentos 2002. Enfrentando na época grandes nomes como o que agora me vem à memória. O grande artista Flávia Fontenelle (com suas maravilhosas e encantadoras performances de Clara Nunes). Enfim fui  finalista junto com uma outra artista drag queen no momento chamada Katrina Ávila, que de fato foi a vencedora do concurso. E no dia certamente estava mais bem preparada. mas que resolveu então pouco tempo depois abandonar a carreira de transformista. E então de certa forma eu como segundo lugar do concurso começo a tomar formas de primeiro lugar fazendo muitos shows na casa escrevendo o meu nome no rol de artistas dá então boate Divine. Ahhh! Para falar então do show de Tina Turner (o conhecido e TÃO pedido show da maçã), de fato foi um show muito bem elaborado e dirigido por Fabinho Vieira (na época amigo de colégio de direção teatral e hoje DJ e parte incrível do grupo as travestidas) proud Mary sem dúvidas foi um dos carros-chefes da minha carreira. E não foi a música que usei para a final do concurso (certamente teria ganho se tivesse a preparado para a final). Mas ousei no momento oportuno para concorrer com a maravilhosa e esfuziante Flávia Fontenelle. E de fato foi bem usada para conseguir vencer naquela noite a diva. Toda maquiada de negra e com uma dublagem na ponta da língua muito bem dirigida por Fábio então me consagro ali como transformista e até hoje um dos shows mais aplaudidos e lembrados desde 2002. (Com muito amor faço sempre que me pedem).

HILUX - Chegastes a concorrer o Garota G e até onde eu sei não desfilou mais. Como você vê essa crescente do mundo Miss Gay na arte transformista? Uma miss é uma artista pra você?
LAYLA SAH - Quero começar talvez pelo final da pergunta. Arte de encantar aos olhos de quem o ver e desta maneira arrancar aplausos e emoções claro que sim. Miss é um artista completo (a).
Sim diva Tati. A primeira e única vez que me permiti subir a passarela foi em um Garota G acho que nem lembro o ano te juro kkkkk. Mas me encantava ver todas aquelas meninas lindas e empenhadas e tinha que passar por aquela situação. Mas nunca foi um sonho, talvez uma realização e uma vontade de subir à passarela. Mas de fato nunca me senti uma miss, participei apenas pela experiência de vida e pela vontade de sentir a emoção de estar em uma passarela e ser vista com outros olhos (olhos de admiração de quem está embaixo mas também e principalmente de crítica e cobrança exacerbada de luxo glamour postura elegância graciosidade. Coisas que modestamente acho que não tenho kkkkk). E amei a experiência mas pronto e ponto final. "VIVÍ E AMEI" Hoje como uma das apresentadoras do maior concurso (minha humilde opinião) do Estado o TOP GAY CEARÁ. Acredito que esta crescente evolução do mundo miss e esse encantamento pela passarela é inabalavelmente saudável e contribuinte para que a nossa arte transformista e a nossa vontade de respirar a arte de todas as formas não morra nunca. Deixo aqui então os meus parabéns e admiração grandiosa a todas as meninas que sonham e sobem nessas passarelas, e principalmente aos organizadores idealizadores de concursos de bairros, que de certa forma direta ou indireta fomentam e proporcionam sonhos realizados e artes que jamais podem ser acabadas. Viva os misses gays seja eles quais forem. Bravo!!!

HILUX - Um dos seus grandes amigos namorou comigo e hoje é uma das travestidas. Defina amizade, Layla Sá.

LAYLA SAH - Coincidentemente sem nem me tocar da próxima pergunta falei de Fabinho Vieira anteriormente como um grande amigo incentivador da arte transformista já lá atrás no começo da minha carreira. (Nem sei se podia revelar nomes kkkk) mas para mim amizade é algo primordial sim. Parece piegas mas repito com fervor. AMIGO É SIM COISA PARA SE GUARDAR DO LADO ESQUERDO DO PEITO. Eles hoje são poucos mas verdadeiros. E quero tê-los para sempre do meu lado. "A amizade é uma riqueza que não se perde nem se compra se conquista" Layla Sah.

HILUX - Familia é um ponto crucial na vida da gente. Tive o prazer de conhecer a sua e vi que são muito amáveis com você e seus amigos, mas como foi para o rapaz assumir-se gay e um tempo depois desabrochar essa linda mulher trans?

LAYLA SAH - Família de fato é algo muito precioso em minha vida porém muito pequeno (apenas mãe e irmão) e grandioso. Minha raiz dona Iracy, uma mulher de fibra. Costureira determinada e sempre muito pé no chão conseguiu então criar dois filhos, e aceitar os dissabores da vida sem reclamar, e me ensinou a viver em um mundo de felicidade. Onde o que mais importava era ser feliz. Daí então onde tirei a confiança e coragem de me tornar quem sou hoje. Uma mulher trans, muito bem resolvida bem amada  e respeitada pela família. E hoje pessoalmente realizada. Obrigada de verdade pelo carinho e apreço à minha família mãe irmão, que estarão sempre de braços abertos juntos comigo para lhe receber na nossa humilde residência. (Que aliás não vem há muito tempo né sua devedora de visita. Kkkkk)

HILUX - Teatro. Boate. Sauna. Telegrama animado. Cinema. O que mais a artista Layla pretende para sua carreira?

LAYLA SAH - Profissionalmente falando Tatiana. Depois de ter passado por 07 espetáculos teatrais. Hoje tenho vivido mais a experiência do cinema (que por sinal tenho participacão um filme nacional a ser estreado - GRETA. Com o maravilhoso Marco Nanini.) E começa agora no final de março a gravar um outro que já está em andamento de produção que ainda não posso revelar muita coisa. Mas com a mesma direção de um dos filmes mais badalados que fiz e me projetei no cinema chamado Janaína Overdrive. Para mim viver a sétima arte neste momento é engrandecedor e realizador de um sonho antigo. Mas talvez o que de fato falta ainda para completar as experiências de uma atriz seja a televisão. E possivelmente seja algo que eu venha a almejar de hoje em diante. Não como meta. Mas talvez como troféu de reconhecimento por tudo que fiz até hoje. Então aguardo os frutos de anos de trabalho, que tentarei colher. E se não vier também não existirá frustração alguma. Me sinto muito realizada nesse quesito maravilhoso chamado ARTE. E vamos então experimentando e aprendendo. Para mim o artista é aquele que se reinventa e que nunca está satisfeito com apenas o que aconteceu. Sempre em busca do que está vindo de desafiador. Sou eu!!!
Frase: "Reinventar-se e aprender sempre. Nunca sabemos de tudo."

HILUX  - Deixa uma mensagem a todos seus amigos e seguidores, por favor e muito obrigada pelo tempo despendido e interesse pela matéria. Beijos calorosos!

LAYLA SAH - Muuuuuuuuitoooo obrigada pelo carinho e pelo interesse de saber e acompanhar um pouco dessa trajetória de 17 anos nos palcos e vamos que vamos. Não desistam nunca dos seus sonhos. E quando então eles forem realidade. Não acordem nunca. Continuem sonhando. O sonho nunca pode acabar. Nunca aceite o ponto final da corrida. Continue correndo. O cansaço é a certeza da vitória. E digo mais. Difícil não é vencer a corrida. Difícil é marter-se de pé e segurando o troféu. E o maior presente disso tudo é ainda hoje receber o carinho e 
palavras de amor de tanta gente e ter mantido intacto e confiante o nome LAYLA SAH. Bjuuuuus Sahborosos. Luz!!!
By Tatiana Hilux