quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

MULHER TRANS TEM SUA IDENTIDADE DE GÊNERO DESRESPEITADA AO PRESTAR QUEIXA POR AGRESSÃO EM DELEGACIA DE NITERÓI

Lua Guerreiro tem 24 anos e uma vasta cabeleira que cultiva desde 2015, quando iniciou a transição de gênero. O cabelo foi, como diz, "um marco" no processo, junto com o nome social. No último domingo, rasparam-lhe nacos de cabelo no Hospital Azevedo Lima, de Niterói, depois de ela ter sido golpeada na cabeça por um grupo de homens na rua a caminho de casa. Em seguida, o nome social de que tanto se orgulha foi desprezado pelos policiais que a atenderam na delegacia quando tentava prestar queixa da violência de que fora vítima. As autoridades, conta, recusaram-se a chamar Lua pelo nome que escolheu, usando o que consta em seu documento de identidade.
— São dois marcos da minha transição: o cabelo e o nome. E tudo isso foi desrespeitado. Ainda não quis olhar o quanto rasparam, não sei se quero ver. Saí do hospital e fui para a polícia e, lá, o nome que eu uso foi ignorado, mesmo eu dizendo que era meu direito. Foi uma experiência terrível — diz ao GLOBO Lua, que, por fim, desistiu de registrar a queixa na 76ª Delegacia da Polícia Civil de Niterói.

Na tarde desta terça-feira, acompanhada de testemunhas e de uma advogada que viu seu relato na internet, a roteirista e produtora de cinema foi à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, na Lapa, para finalmente registrar a ocorrência. Ela relatou ter sido agredida após pedir um isqueiro a um vendedor de uma barraca na boêmia praça Cantareira, no bairro de São Domingos. Eram mais de 23h, e as agressões verbais, segundo Lua, terminaram em ataques físicos.
— Para ser sincera, não sei quanto tempo fiquei apanhando, não sei quantos homens eram. Eles se revezavam para me bater. Eu levantava, eles me davam rasteira por trás, e eu caía de novo. Fiquei desorientada, não tenho noção de como tudo aconteceu. Tinha sangue da cabeça aos pés.
Na ambulância rumo ao Hospital Azevedo Lima, a amiga que a acompanhava registrou em vídeo o primeiro desabafo da roteirista. Logo depois, já na emergência, Lua conta ter sido alvo de deboche pelos enfermeiros que a receberam.
— Faziam piadas sobre mim, me tratavam pelo outro gênero e acabaram até discutindo com minha amiga que criticou a falta de profissionalismo (da equipe de enfermagem). Eu levei pontos na cabeça porque bati a cabeça várias vezes, e não me fizeram um raio-x. Não sei se isso é normal, sabe? — questiona Lua.
Em seguida, ao chegar à delegacia, ela diz que deu de cara com o rapaz que havia iniciado as agressões, acompanhado de outros dois homens e de uma mulher. Reconheceu de pronto um dos agressores. Não sabe dizer quem eram os demais ("Não consegui ver o rosto deles enquanto apanhava", diz). Sentindo-se intimidada, ainda assim, deu início a seu relato para os policiais.
— O tratamento já vinha sendo desagradável, meus agressores estavam lá sorrindo, à vontade. Mas tudo piorou quando o policial pegou meu RG e viu que meu nome no documento era outro. Aí ele ficou transtornado. Eu expliquei que era meu direito usar o nome social e que os documentos oficiais devem trazer o nome de registro com o nome social ao lado, mas ele se recusava a ouvir — diz Lua. — Depois disso, me colocaram numa espera incessante. Os policiais ficavam passando, e eu ali toda machucada, dolorida.
Eram mais de 2h de domingo para segunda, e, conta Lua, os policiais assistiam à televisão ("Ironicamente, viam um programa sobre violência de gênero", diz). Ela teria questionado o motivo da espera e relata ter ouvido como resposta a frase: "Estamos ocupados".
— Eu disse a eles: 'Estou cansada, estou com dor'. E me falaram que a previsão de atendimento era de mais duas horas. Então desisti. Depois ouvi dizer que é uma tática muito comum usada pelos policiais para desencorajar o registro da queixa. Parece que eles costumam fazer isso para desestimular a denúncia mesmo — afirma.

Secretaria promete apurar caso

Sobre as acusações de transfobia que a roteirista teria sofrido no Hospital Azevedo Lima, a Secretaria de Estado de Saúde informou, em comunicado, que "repudia qualquer tipo de intolerância nas suas unidades e que a nova gestão tem como uma de suas principais metas a humanização durante o atendimento". "A SES informa que irá apurar com rigor a denúncia e agir de forma exemplar com todos os funcionários envolvidos", diz a nota enviada ao GLOBO.
A 76ª Delegacia de Polícia de Niterói não comentou as acusações de transfobia e informou apenas que "os agentes de plantão solicitaram a vítima que aguardasse atendimento, uma vez que todos os policiais estavam realizando outros registros naquele momento. No entanto, ela optou por ir embora informando que retornaria depois para registrar o fato".
A assessoria de imprensa da Polícia Civil do Rio de Janeiro disse que a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância registrou a ocorrência nesta terça-feira e que a vítima foi encaminhada para exame de corpo de delito. Acrescentou: "Testemunhas também foram ouvidas e diligências estão sendo realizadas em busca de imagens de câmeras de segurança e informações que levem a autoria do fato. As investigações estão em andamento".
A Comissão de Direitos Humanos, da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal de Niterói informou que vem oferevendo à Lua "apoio jurídico para a devida identificação e responsabilização dos autores desse ato covarde de barbárie". Presidente da comissão, o vereador Renatinho do PSOL lembrou que "o Brasil é o país onde mais trans morrem assassinadas no mundo", referindo-se a dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), segundo os quais 163 pessoas trans foram assassinadas no país em 2018.
Colaborou: Isabela Aleixo - Fonte; EXTRA

PRA SE JOGAR! CARNAVAL DE ARACATI COMEÇA NESTA QUINTA-FEIRA. CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

Serão cerca de 50 atrações que vão se apresentar durante 15 horas de shows por dia em Aracati e Majorlândia. 
A atração mais esperada é sem duvidas a cantora Anitta.

A festa vai contar  com a participação de Solange Almeida, Aldair Playboy, Luis Marcelo e Gabriel, Gabriel Diniz, Wallas Arrais, Sérgio Loroza, Serginho Pimenta Nativa, DJ Cris, Hungria, Thiaguinho e Felipão.

A folia começa no dia 23 de fevereiro, com a escolha do rei e da rainha do carnaval, e na quarta-feira (27) o bloco religioso Maranatha desfila na avenida. Na quinta (28), haverá o desfile dos tradicionais bloquinhos. 

Na sexta-feira, dia 1º de março, começam as apresentações dos artistas nos trios elétricos na avenida principal.
O encerramento será ao meio-dia da quarta-feira de Cinzas (6), com o cantor Felipão puxando o arrastão, com um show que vai fechar a folia na cidade.
Com informações Diário do Nordeste

PRA SE JOGAR! CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO CARNAVAL DE FORTALEZA

Foi-se o tempo em que Fortaleza no carnaval era procurada somente para quem queria paz e sossego...Pra quem prefere ficar na capital cearense, tem folia para todos os gostos e bolsos. Confira:

Programação
A programação oficial do Carnaval de Fortaleza inicia na sexta-feira (01/03), no Aterro da Praia de Iracema, com a apresentação do grupo GhettoRoots, da cantora Jord Guedes, do Bloco Geração Coca-Cola e, fechando a noite, sobe ao palco o Bloco das Travestidas. No sábado (02/03), muito tambor agita o polo, com apresentação do cantor Zé Paulo, seguida pelo cantor Robson Moraes, pela Orquestra Solar dos Tambores e, por fim, pelo bloco-afro Olodum.
No domingo (03/03), as atrações do polo são Banda Casa Maré, Superbanda, Bloco Luxo da Aldeia e Bloco Eu Não Sou Cachorro Não com Os Alfazemas. Já na segunda-feira (04/03), o dia é de samba, com o grupo SambaDelas, cantora Mel Mattos, cantora Carla Cristina e, apresentando os sucessos de sua carreira, o cantor Diogo Nogueira. Por fim, as atrações de terça-feira (05/03) prometem animar a Praia de Iracema, com o Bloco Café Preto, apresentação do cantor Renno e, fechando com chave de ouro o Ciclo Carnavalesco 2019, sobe ao palco o projeto Troça Elétrica com a banda Nação Zumbi, Academia da Berlinda e Orquestra de Frevo Henrique Dias. No show da Troça Elétrica, o público ainda poderá conferir a presença de Bonecos de Olinda, de casal de passista de frevo e de cabloco de lança. A Troça elétrica é a festa carnavalesca promovida pela Banda Nação Zumbi que tem como objetivo levar a folia contagiante do carnaval pernambucano para todos os cantos do país.
O Ciclo Carnavalesco 2019 traz uma novidade para a Avenida Domingos Olímpio, a última atração de cada dia será um bloco tradicional de Fortaleza, com início de show previsto para meia-noite. No sábado (02/03), participam do cortejo vários maracatus, com show de encerramento do Bloco Luxo da Aldeia. No domingo (03/03), blocos e maracatus desfilam pela avenida, com encerramento de Renato Black e Banda. Na segunda-feira (04/03), é a vez do cortejo de cordões e blocos, com show do Bloco eu Não Sou Cachorro Não com Os Alfazemas. Na terça-feira (05/03), passam pela avenida os afoxés e as escolas de samba.
No polo Benfica, a festa acontece de sábado a terça-feira (02 a 05/03), das 9h às 17h, exceto na segunda-feira, quando a programação se estende até 22h. No polo, a primeira atração sempre é uma banda infantil, seguida por grupo de tambores, maracatus e blocos de rua.
O bloco Num Ispaia Senão Ienche anima todos os dias de Carnaval na Mocinha, de sábado a terça-feira (02 a 05/03), das 18h às 22h. A criançada não ficará de fora, o Passeio Público de Fortaleza recebe, de sábado a terça-feira (02 a 05/03), das 9h30 às 12h, uma programação carnavalesca infantil, com as bandas Aquarela e Pacote de Biscoito.
O Mercado dos Pinhões e o Mercado da Aerolândia continuam recebendo atrações durante o Carnaval, de sábado a terça-feira (02 a 05/03). No Mercado dos Pinhões, a programação segue das 18h às 22h, já na Aerolândia as atrações ocorrem das 17h às 20h, exceto na terça-feira, com início mais cedo, às 16h.

CHÁ DAS QUINTAS - OLGA DANTELY UMA DRAG QUEEN BRASILEIRA QUE FAZ SUCESSO NOS EUA

No chá das quintas de hoje recebo uma drag brasileira que mora em Miami, Olga Dantely.

HILUX - Prazer imenso em receber Olga Dantely para um chá das Quintas nessa véspera de Carnaval no Brasil. Olga, o que representa essa festividade em sua vida?

OLGA - Olga é nascida de um Carnaval, creio que a maioria das drags brasileiras nasceu em um sábado de Carnaval em blocos de Piranhas (lol). Desde pequeno eu me vestia e saia com os meninos da minha rua, mas já sentia que por o tamanco era mais emocionante para mim que para os demais. Ficava horas dublando canções com minha irmã com uma toalha na cabeça. Desfilei algumas vezes, a princípio como GoGo Boy e até que um dia LORNA WASHINGTON me maquiou e desfilei de drag.

HILUX - Você é um artista brasileiro que foi, viu e venceu na América do Norte e sabemos que não deve ter sido fácil. Qual foi seu maior louro na carreira de drag? E a valorização do artista brasileiro em terras do Tio Sam?

OLGA - Realmente não é fácil e nem era a intenção. Fui nadador e militar quando morava no Brasil e não imaginava um dia poder me sustentar como drag queen. Quando cheguei na América em 1999, por obra do destino cai na mão de artistas cubanos que me mostraram o mundo noturno e eu me apaixonei, mas como o idioma e tudo era muito novo, tive que começar do zero, limpando restaurantes, casas, etc. Aqui na Flórida participei de peças teatrais e concursos e fiquei sendo conhecida como a Brazilian Bombshell, por ser a única drag brasileira e mostrar algo que elas não poderiam fazer igual. Tampouco tinha pudor em tirar minha roupa e peruca e mostrar o homem que havia embaixo. Ganhei o Miss Flórida Plus em 2014 e a visibilidade aumentou. Brasil é um país muito querido e respeitado e isso traz a curiosidade das pessoas, mesmo com tantos problemas, ainda querem muito saber sobre o país.

HILUX - Tu tens uma cantora carro-chefe? De onde vem a inspiração para compor a personagem Olga?

OLGA - Creio que Olga é um conjunto de coisas. Mas poderia escrever uma palavra: ENERGIA. Nos últimos 20 anos muita coisa passou em minha vida. Uma grande montanha russa de emoções. Tive uma irmã assassinada no Rio de Janeiro e aprendi a ter força para fazer as pessoas felizes. Meus pais se divertem com minhas loucuras que mostro em câmera algumas vezes. Tina Turner é uma das minhas inspirações, por ter passado por tanto e nunca ter desistido. Meu carro chefe e Proud Mary onde faço as pessoas dançarem e liberarem a drag que há dentro de cada um de nós. Ponho vestido, peruca e dançamos o refrão principal.
E como “ Let it go”, do filme Frozen, onde faço tudo ao contrário. Uma drag gorda, negra, careca que faz uma princesa toda perfeitinha e no final fico quase pelado. Mostrando que somos humanos e que somos LIVRES.


HILUX - Comecei a te seguir de alguns meses para cá e já vejo sua enorme popularidade na web. Como você lida com a fama? E o uso das tecnologias?

OLGA - Há quase 2 anos comecei a trabalhar no melhor restaurante gay dos EUA, The Palace, na Ocean Drive. Há 31 anos ele celebra a arte de drags e é famoso por ter os melhores shows ao ar livre e com pessoas do mundo todo diariamente assistindo mais de 5 horas de shows. Latrice Royale saiu direto dáli para RuPaul Drag Race, imagina. A visibilidade que comecei a ter se tornou algo genial, e hoje tudo que fazemos se torna viral. Diariamente passo posando para fotos com transeuntes de diversas partes do mundo que querem um clique. Estou sempre preparado para uma palavra de carinho, um abraço e às vezes um simples sorriso que pode mudar o dia de alguma pessoa e até o meu próprio.

HILUX - Marcelo por Olga e Olga por Marcelo...

OLGA - Marcelo por Olga: Se deixar Marcelo fica na cama dormindo para sempre. Se sente sozinho, dificilmente socializa e se acha feio e gordo. Esconde-se atrás de mim para que seus dias sejam melhores. Cansou de tentar conhecer pessoas que não entendem que detrás da maquiagem e da barriga há um ser humano cheio de amor e com muita alegria por dentro.
Olga por Marcelo: LUZ!!! Olga Dantelly passou a ser minha energia maior, minha alegria e uma das minhas fontes de grana também. Com cada dia mais shows e visibilidade, os convites não param. O corpo cansa, mas a alma pede mais. É muito bom receber a energia do público toda vez que termina os shows e escuto que mudei o dia deles. Não tem preço.

HILUX - Você está prestes a vir ao Brasil em férias e a trabalho. Confere? Fala um pouco dos seus próximos passos.

OLGA - Em Maio estarei indo ao Brasil para as Bodas de Ouro dos meus pais, e assim aproveito para rever e trabalhar um pouco com o público brasileiro que muito me apoia e segue nas redes. Em 2016 fiz um Festival de Drags no Rio, com 21 drags, bailarinos e foi um sucesso. Desde então amigos, familiares e fãs pedem que eu faça outro. Esse ano estou produzindo um show diferente. Estou preparando um almoço com algumas das melhores drags do Rio. A maioria covers de cantoras famosas, onde o público estará almoçando e deleitando-se com Ana Carolina, Gal Costa, Elis, Adele, entre outras. Será na Turma Ok. Como o local só cabe 100 pessoas sentadas, criei 2 shows em distintos horários onde todos terão a oportunidade de ver um grande espetáculo de 2
Horas, comer, tirar fotos e se emocionar com as histórias e musicas.
Além disso, estou tentando fechar uma turnê pelo Nordeste, que seria um sonho. Além de mostrar meu trabalho, adoraria conhecer.

HILUX - Obrigada por sua atenção que você sempre empresta à minha pessoa e peço que deixe uma mensagem aos amigos que leram sua matéria, por favor.

OLGA - Como diria Walt Disney : Todos os sonhos se realizam. Sou prova viva disso tudo. Sonhe e faça acontecer. Abra sua mente e deixe coisas boas entrarem.
Obrigado Tatiana Hilux por todo o carinho sempre demonstrado e força para as Plus desse mundo.