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sábado, 7 de junho de 2014

TRAVESTIS ROMPEM PRECONCEITOS E FAZEM SUCESSO NO MUNDO DO FUNK

Se durante muito tempo o funk foi considerado um ritmo com profusão de letras homofóbicas, uma geração de artistas homossexuais está disposta a mostrar que o gênero também tem espaço para o público LGBT. Três deles, as cantoras e compositoras Carol Vieira, a MC Xuxu; Camilla Monforte, a MC Transnitta; e Julyanna Barbosa, a Mulher Banana; levam para o público músicas que colocam em pauta os seus dilemas particulares. Em outras de suas obras, os temas são absolutamente universais.
Música ajudou em transição
Naquele tempo, ela ainda tinha formas masculinas e era professor de lambaeróbica em Queimados, na Baixada Fluminense. Sua trajetória começou a mudar quando ganhou espaço no programa de rádio de uma amiga.
Após pedir permissão aos pais para se expor e, consequentemente, acabar revelando a sua sexualidade para toda a vizinhança no programa de rádio, Julyanna começou a ganhar espaço usando o pseudônimo de Garota X. Ao longo do tempo, passou a compor versões com a visão gay de sucessos consagrados. Logo, começaram a ser pedidas pelos ouvintes.
Mas a Garota X saiu do armário definitivamente quando em uma apresentação em um pagode, ela decidiu cantar. Um DJ da Furacão 2000 ouviu e percebeu que ali estaria um sucesso.
A transição para as formas femininas que possui atualmente aconteceu diante do público. “Quando eu comecei a cantar, a minha aparência era masculina ainda, porque eu não tinha certeza de que ia dar certo. Era um menino com maria chiquinhas, com umas roupas engraçadas. A garota X era um personagem que eu colocava só no palco. As pessoas começaram a me reconhecer nas ruas, mesmo trajada com roupas masculinas. Então eu resolvi tirar a Garota X do armário. Foi quando eu comecei a fazer uso de hormônios. Foi acontecendo gradativamente com a minha carreira. Eu cantava de calça, a minha aparência foi mudando, fui colocando uma calça capri e, mais tarde, uma roupa de colegial, que era o meu sonho de infância.”
Julyanna afirma que a presença de gays nos bailes funk passou a ser mais comum quando eles começaram a se enxergar no palco nas figuras dela e de sua amiga Lacraia. E, em todas as apresentações, fez questão de passar mensagens contra a homofobia ao seu público.
Quando veio a época das mulheres-fruta, mais uma vez apelando para o humor que sempre foi comum em duas letras, ela criou o personagem da Mulher Banana, uma evolução mais sensual e amadurecida de si. A música, com versos como: “Não tem Mulher Melancia, Mulher Jaca ou Moranguinho/ sou a Mulher Banana sou mais o meu popozinho.” Acabou por atingir um público inesperado, o das crianças, e ganhou algumas versões de fãs no YouTube.
MC Xuxu faz shows em todo o país
Nascida em Juiz de Fora (MG), a cantora e compositora Carol Vieira, mais conhecida como MC Xuxu, começou a carreira cantando rap. “Na minha comunidade, existe a Posse de Cultura Hip Hop Zumbi dos Palmares. Eu ganhei uma letra de um dos membros, a trabalhei e comecei a cantar. Meu primeiro show foi em uma escola, fui bem recebida e  gostei da ideia de ser uma cantora porque, até então, eu só dançava.”
A influência do funk veio após uma temporada de dois anos que a cantora viveu em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Na capital fluminense, Carol frequentou vários bailes e passou a gostar da energia do ritmo. “Acabei voltando para a minha cidade com este amor pelo funk carioca” conta ela.
A inspiração do Rio se reflete em algumas letras que foram compostas na cidade. Este é o caso de Desabafo, seu último clipe. Com a influência de cantoras como Wanessa e Beyoncé, Xuxu utiliza a internet como a principal arma de divulgação para falar com seu público. Dona do hit Um Beijo, que tem quase um milhão de visualizações, faz questão de participar de todas as etapas de produção de cada vídeo que vai para a internet.
“O meu foco é o público LGBT. Todas as minhas músicas são voltadas para nós. Nas letras eu tento amenizar a homofobia, mostrar a diversidade e tudo o que fale da nossa vida e da minha vida, de uma travesti de 25 anos. Tudo o que eu penso, o que eu vivo eu procuro colocar nas minhas músicas,” diz ela.
MC Transnitta gosta das múltiplas possibilidades do funk
Com uma carreira mais recente, Camilla Monforte, a MC Transnitta, faz do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, a sua base para conquistar o mundo do funk e acabar com o preconceito. O clipe de Para Menino, gravado na comunidade e lançado em fevereiro deste ano, já atingiu mais de 80 mil visualizações.
Apesar da alegria que imprime às canções que interpreta, a história da cantora começou com um capítulo triste: quando ela se assumiu transexual para família, aos 17 anos, foi expulsa de casa e, sem ter para onde ir, foi viver nas ruas.
Nesta época, ela teve o primeiro contato com o funk: “Ao mendigar por comida e pela misericórdia das pessoas, eu comecei a ouvir aqueles rappers nas máquinas da Central do Brasil. E comecei também a conhecer o funk. Porque ali perto tem o Morro da Providência e as pessoas desciam ouvindo a música e eu comecei a me identificar com as letras.”
Ela afirma que, ao ir morar no Alemão, conheceu a favela de verdade. Lá também começou a conquistar espaço como cover oficial da cantora Anitta. Daí veio o nome artístico, que começou a usar na época que imitava os trejeitos da artista, e que decidiu manter na carreira solo, como uma forma de homenagem à cantora e para não esquecer da própria trajetória.
“Eu tentei emprego em lanchonete, em firmas de limpeza, em inúmeras coisas. Mas nunca fui aceita. Então eu fui participar de um concurso cover e fui desclassificada por ser transexual. Os bailarinos da cantora foram jurados do concurso e o vídeo chegou até ela, que abraçou a minha causa com todo o carinho e me deu uma chance de empregabilidade. A Anitta foi a pessoa que deu o meu primeiro emprego, o meu primeiro salário. Talvez ela não tenha nem noção do bem que ela me fez,” diz ela.
Ela destaca a faceta democrática do ritmo como preponderante para a sua popularidade: “O funk é muito aberto. Qualquer um pode chegar em um estúdio, pagar uma produção de funk e fazer uma música. Jogou na internet, esta música vai circular de qualquer maneira, sendo boa ou ruim.”
Funk oferece visibilidade para grupos marginalizados
Para Cláudio Nascimento, coordenador do Rio sem Homofobia, os artistas gays do funk dão visibilidade aos homossexuais que vivem em comunidades e prestam um grande serviço na luta contra o preconceito sexual e racial.
“O funk acaba sendo um grande canal libertário de difusão de informações de combate ao preconceito ao público LGBT. Quando você vê uma transexual ou um gay, você gera uma discussão no grupo, mas também o extrapola, pois o funk tem uma perspectiva muito ampla.”
E ainda complementa: "A medida que as pessoas veem que há uma travesti, uma transexual cantando funk e que ela poderia ser uma cantora heterossexual e que isso não a faria diferente, que um gay não seria melhor e nem pior do que um cantor hetero, acaba gerando uma visibilidade de que eles podem estar em todos os lugares, inclusive no funk."
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