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quinta-feira, 29 de maio de 2014

"MALÉVOLA" ESTREIA COM DESTAQUE PARA VILÃ NA RELEITURA DO CLÁSSICO INFANTIL A BELA ADORMECIDA

Já faz 55 anos que a vilã Malévola apareceu nas telas do cinema no clássico da animação A Bela Adormecida, assustando muitas crianças. Nesta quinta-feira (29), a personagem volta, em versão “carne e osso”, na pele de Angelina Jolie, na produção dos Estúdios Disney, que tem estreia internacional. A diferença é que, desta vez, a história é apresentada do ponto de vista da fada malvada que dá nome ao filme. Se no desenho de 1959 o enredo começava a partir do batizado da pequena Aurora, em Malévola o espectador saberá o passado e os motivos que levaram a vilã a ter tanto ódio do casal real, a ponto de amaldiçoar o futuro da pequena princesa.
Esse mistério foi uma das maiores motivações que convenceram Angelina a aceitar o papel, como ela explica: “Eu fiquei muito interessada no roteiro desde a primeira vez que o li. Foi como se eu desvendasse um grande mistério. Todos conhecemos a história da Bela Adormecida e conhecemos a Malévola, mas nunca soubemos o que aconteceu antes do batizado de Aurora”.
Sarcasmo  
A paixão de Angelina pelo personagem deu um tempero adicional ao filme. O resultado é uma vilã que, mesmo desejando o mal a uma criança, é capaz também de conquistar o espectador com uma boa dose de sarcasmo e ironia. E, claro, graças também a um belíssimo par de olhos verdes, conquistados graças ao minucioso trabalho de um artista que os desenhou à mão, após um esboço criado pela própria atriz.
O visual da protagonista é um trabalho à parte, que, por si só, vale o ingresso. A semelhança com a personagem do desenho impressiona, apesar de a pele não ter aquele tom verde característico. E os famosos lábios da sra. Brad Pitt, bem avermelhados, dão um toque sensual à vilã.
A caracterização da vilã ficou tão apavorante para alguns que se tornou difícil encontrar uma criança que contracenasse com ela, já que muitas pequenas ficavam com medo. A solução encontrada por Jolie foi convocar a própria filha, Vivienne, de 4 anos, para interpretar a princesa Aurora na fase mais infantil.
Mas a atriz já disse que pretende manter a privacidade da filha e não quer, pelo menos por enquanto, que a pequena se torne  profissional: “Brad e eu nunca quisemos que nossos filhos fossem atores. Mas, se eles decidirem fazer isso quando forem maiores, vou pedir que isso não seja o centro de suas vidas, que seja um aspecto”, diz.
Na fase adolescente, quem interpreta Aurora é Elle Fanning, que já atuou em filmes como Super 8 e Compramos um Zoológico. A irmã de outra famosa atriz, Dakota Fenning, não esconde a alegria em viver a princesa: “É tudo que eu sempre sonhei e começou a se concretizar a partir do momento em que vesti seu primeiro figurino, fiz o cabelo e tudo mais. Tem sido muito especial interpretar uma personagem tão emblemática”.
Estreante  
Apesar de se tratar de uma produção cara, de US$ 200 milhões, os Estúdios Disney resolveram ousar escalando um estreante na direção, Robert Stromberg. Mas o diretor já tem um currículo admirável em outras funções. Já conquistou dois Oscar, pela direção de arte de Avatar (2009), dirigido por James Cameron, e Alice no País das Maravilhas (2010), de Tim Burton. É impossível, aliás, não associar Malévola a esse trabalho de Burton.
A floresta onde a personagem-título vive lembra, em muitos momentos, o cenário do filme em que Johnny Depp vivia o Chapeleiro Maluco. Stromberg optou por uma fotografia escura, sombria, que muitas vezes remete ao universo gótico dos filmes de Burton. Não à toa, quando foi anunciada a produção de Malévola, o nome de Tim Burton surgiu como um dos favoritos para dirigir o filme. Mas, como ele estava envolvido em outros projetos, Stromberg acabou assumindo.
Mas o diretor não quis fazer simplesmente uma refimalgem do clássico animado. Como ele mesmo observa, trata-se de uma “reinvenção” da história. Tanto que o roteiro apresenta algumas mudanças em relação à animação de 1959. Essas mudanças, aliás, dão uma ótima movimentação à história, que ganha alguns contornos de aventura, com cenas de ação que se alternam com momentos dramáticos.
Maniqueísmo  
Uma outra mudança importante é a diminuição da dosagem no maniqueísmo. A personagem Malévola tem uns toques de humana e, como qualquer pessoa, guarda características do bem e do mal. Jolie elogia a composição da personagem: “Eu acho bom dizer para as crianças que não existe só o bem e o mal. As coisas não são só preto ou branco na vida. Tem sempre algo a mais para aprender e entender sobre uma situação”.
Os méritos do roteiro são, principalmente, de Linda Woolverton, a mesma dos inesquecíveis O Rei Leão (1994) e A Bela e a Fera (1991), essa última a primeira animação a concorrer ao Oscar de melhor filme.
Mas, apesar das diferenças, o fã do desenho encontrará, claro, muitos elementos do clássico. Estão no filme, por exemplo, as três atrapalhadas fadas encarregadas de cuidar de Aurora até que a maldição lançada sobre ela seja quebrada.
Elas são as responsáveis pelos momentos cômicos. E também não falta a belíssima canção Once Upon a Dream (Era Uma Vez um Sonho), que ficou ainda mais bonita na voz de Lana del Rey. Vale a pena esperar os créditos só para ouvi-la.
Fonte:Correio da Bahia

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